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Mato Grosso

Sobrevivente do Holocausto fala sobre a superação do pós-guerra em escola de Cuiabá

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Foi com olhares atentos que estudantes do ensino médio da Escola Estadual Zélia Costa de Almeida, no Jardim Presidente II, em Cuiabá, participaram do encontro com um dos 318 judeus de origem holandesa que sobreviveram ao Holocausto durante a 2º Guerra Mundial. O economista Louis Frankenberg esteve na cidade e falou sobre os momentos vividos no campo de concentração, ainda na infância, e na busca pela sua identidade.

Para os alunos, o entendimento histórico sobre o conflito teve início com projeto de leitura da escola, como explica a coordenadora Lucinda Gavilha. “Percebemos que muitos dos nossos estudantes chegam ao ensino médio sem o contato real com a leitura. Então, desde abril, tiramos um tempo na rotina escolar para praticá-la”, lembra.

Dentro dos debates com os professores sobre qual obra seria adotada, o professor de história, Yuri Chaya Piraccini, sugeriu o livro O Diário de Anne Frank, que conta a trajetória de uma jovem judia holandesa, que passou anos escondida no sótão de uma casa em Amsterdã, fugindo dos nazistas.

“O conteúdo foi pensado dentro da temática de histórias e conflitos de guerra na sociedade mundial e memória viva. O livro retrata isso. Fizemos uma parceria com uma livraria e foram comercializados 150 livros e a escola foi contemplada com 10 unidades para a biblioteca”, lembrou Lucinda.

Louis em Cuiabá

O economista esteve na Capital para uma palestra na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e após alguns contatos, o professor Yuri conseguiu levá-lo até aos estudantes. Muito aplaudido, Louis falou sobre a busca pelo próprio passado.

“Eu tinha sete anos quando a guerra começou, em 1939. No mesmo ano fui pego pelos soldados e enviado primeiro para o Campo de Concentração de Westerbork, e depois para Therensienstadt”, lembrou.

Os seis meses que passou aprisionado pelos alemães, apesar de traumáticos, resultaram em uma história de superação. Ele perdeu os pais – mortos em um dos campos de concentração – viveu longe de sua irmã, que fugiu, foi adotada e viveu de forma clandestina até o final da guerra.

“Nesse processo todo, perdi minha identidade, não sabia mais quem eu era. Foi aí que em 1988 comecei a buscar pela minha história, juntando com o que tinha na memória, com o que os livros relatavam”.

Louis recorda que dos 103 mil judeus holandeses presos no maior campo de concentração da Holanda, apenas 15% deles sobreviveram. Recordou ainda que ele só pode contar a história hoje, graças a um primo distante, que era soldado e reconheceu o seu nome na lista dos prisioneiros.

“Ele correu para falsificar um atestado de batismo na religião evangélica e com isso, não fui mandado para o campo de extermínio junto com outros 3.751 judeus, que foram para o campo mais famoso, o de Auschwitz, na Alemanha”.

Com o fim da guerra, sem a família, ele passou por muitos lares. Emocionado, lembrou dos momentos difíceis ao ser “adotado” por pessoas desconhecidas. “Eu só queria amor e eu não tinha”, finalizou.

Hoje, um dos economistas mais bem-sucedidos no país, com diversos livros publicados na área, se orgulha da família construída no Brasil. Ele é casado e tem três filhos. A família toda conta com 31 pessoas, momento em que aponta para uma foto do grupo projetada na parede.

Memória Viva

Para a estudante do 1º ano do ensino médio, Vivian Balestiro, de 15 anos, o encontro foi emocionante e ela jamais imaginaria vivenciar uma situação parecida.

“Estamos falando sobre de um dos piores crimes contra a vida humana e ele sobreviveu. Nunca pensei que teria a oportunidade de estar de frente com um sobrevivente desse período, estou emocionada”, disse.

A estudantes segurava um exemplar do livro O Diário de Anne Frank e Louis revelou que, apesar de não ter nenhuma memória sobre a jovem, há uma grande possibilidade de terem ficado no mesmo espaço, especialmente durante a distribuição dos prisioneiros para os campos da Alemanha.

“A vinda dele é uma aula inimaginável aos alunos. É uma memória viva, é resgate. Vejo que os estudantes souberam valorizar essa presença e, ainda mais, vão levar a mensagem de superação que o Louis deixa para nós. É um dos maiores momentos da escola”, finalizou a coordenadora Lucinda.

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Mato Grosso

PGJ de Mato Grosso participa de Ato em SP na defesa da democracia

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O procurador-geral de Justiça em Mato Grosso, José Antônio Borges Pereira, participou nesta quinta-feira (11), em São Paulo, do ato realizado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) para leitura e assinatura da “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado democrático de Direito”. Ele integrou o grupo de 1200 pessoas selecionadas para participar do evento.

A limitação do espaço físico foi uma definição do comitê organizador para garantir a segurança dos participantes. Do lado de fora, milhares de pessoas acompanharam a leitura da carta por telões que foram instalados no Largo São Francisco.

“Fiquei extremamente feliz em participar desse ato histórico. Além de reafirmar o compromisso do Ministério Público na defesa da democracia e do respeito à nossa Constituição Cidadã, enfatizamos a necessidade urgente de se estabelecer, nesse momento eleitoral, uma pauta de discussão propositiva para soluções de problemas que assolam o nosso país. Além da crise econômica que desemprega milhões de brasileiros e aprofunda as desigualdades sociais, o Brasil precisa avançar e não pode se fechar para os debates em torno da questão ambiental”,ressaltou o procurador-geral de Justiça.

Borges voltou a repudiar manifestações, veladas ou explícitas, que tentam colocar em descrédito o sistema eleitoral brasileiro. “O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, cumprindo uma de suas mais nobres missões, repele de forma veemente e inarredável, qualquer iniciativa que atinja a democracia tão duramente reconquistada pelo povo brasileiro”, acrescentou.

O procurador-geral de Justiça reafirmou a lisura e transparência do sistema eleitoral do país, reconhecido como uma dos mais avançados e eficientes do mundo. “O discurso de que o voto eletrônico é inseguro e inconfiável não passa de aleivosia lançada com interesses nada republicanos”, enfatizou.

A Carta – Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos cursos jurídicos no país, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.

Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.

Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para o país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.

A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.

Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.

Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.

Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.

Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.

Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.

Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão.

Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.

Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos às brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.

No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.

Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:

Estado Democrático de Direito Sempre!!!!

Fonte: MP MT

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