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Economia

Dólar bate o maior recorde da história e fecha o dia cotado em R$ 4,20

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Notas de dólar em cima de mesa arrow-options
Pixabay/Reprodução

No ano o dólar acumula alta de 8,56% sobre o real

Com as negociações comerciais entre China e EUA a passos lentos, o dólar comercial fechou em alta nesta segunda-feira e atingiu novo valor máximo desde o início do Plano Real . A moeda americana fechou cotada a R$ 4,206, uma alta de 0,32%, superando a máxima histórica que era de 13 de setembro de 2018, quando encerrou negociado a R$ 4,195.

Na quinta-feira passada, antes do feriado da Proclamação da República, o dólar comercial já havia tocado nos R$ 4,20, mas recuou para R$ 4,192 no fechamento da sessão. Para Ricardo Gomes, diretor da Correparti, corretora de câmbio, há muitos fatores pressionando a moeda americana atualmente.

“A demora para que EUA e China fechem a primeira fase do acordo comercial, a instabilidade política na América do Sul e a remessa de lucros de empresas instaladas no Brasil para suas matrizes pressionam a moeda americana”, explica Gomes.

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Ele observa que desde a quarta-feira passada aumentou o fluxo de remessa de lucros de multinacionais instaladas por aqui para suas matrizes. Além disso, lembra, esta semana é mais curta por conta do feriado da Consciência Negra, em São Paulo, o que leva muitos investidores a tomarem posições mais defensivas, comprando dólar. A moeda ameriacana também se valorizou frente às principais divisas de países emergentes, ligadas a commodities.

Gomes lembra que quando o dólar tocou os R$ 4,20, no ano passado, o Banco Central interveio com venda de contratos de swap cambial, equivalente à venda de dólares no mercado futuro.

“As notícias a respeito do acordo EUA-China são contraditórias. As discussões giram em torno das tarifas que os EUA estão impondo aos produtos chineses e também há controvérsia em relação ao reconhecimento de algumas medidas de propriedade industrial pela China. Também ainda não há confirmação de que a China aumentará suas compras de produtos agrícolas americanos. Por isso, o mercado anda de lado e só observa o que vai acontecer”, analisa Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

Trump afirmou durante a tarde que não haverá reversão de tarifas já impostas aos chineses, o que azedou o humor do mercado.

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Na Bolsa de Valores, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, se manteve no campo positivo durante amaior parte do dia, mas inverteu o sinal na reta final do pregão. O Ibovespa fechou com queda de 0,33% aos 106.914 pontos, seguindo as bolsas americanas. Os principais índices acionários dos EUA iniciram o dia positivos, indicando otimismo com as negociações entre o governo dos EUA e a China. Mas inverteram o sinal ao longo da sessão, após relatos de que as autoridades chinesas estão pessimistas sobre os progressos da primeira fase do acordo comercial.

A rede de tevê CNBC informou que o clima em Pequim mudou por causa da relutância do presidente americano, Donald Trump, em retirar tarifas de produtos que a China acreditava que os EUA haviam concordado em remover. A notícia reverteu o otimismo visto no início do dia.

A sessão foi marcada pela forte alta das ações da Marfrig após a empresa elevar participação na norte-americana National Beef. As ações ordinárias (ON, com direito a voto) da Marfrig sobem 5,46% a R$ 11,01, após a empresa informar que fechou acordo para aumentar a participação no capital social da sua controlada americana National Beef de 51% para 81,73%, por US$ 860 milhões.

Em nota enviada a clientes mais cedo, a equipe da Ágora Investimentos ressaltou que, na última sexta-feira, quando a bolsa brasileira permaneceu fechada em razão de feriado da Proclamação da República, os índices acionários nos Estados Unidos renovaram máximas históricas. POr isso, segundo operadores, o Ibovespa ainda se mantém no campo positivo como reflexo de ajustes nos ADRs (ações de empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York).

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Do cenário doméstico, a Ágora também chama a atenção para a semana mais curta para a bolsa brasileira, com feriado de Zumbi na quarta-feira na cidade de São Paulo, onde fica a sede da B3. O feriado deve reduzir o número de negócios na semana.

Para Jefferson Laatus, estrategista-chefe do grupo Laatus, o dólar continua pressionado devido ao momento de incerteza dos mercados globais, mas há também a situação política de países da América Latina e fatores internos.

“Há preocupações com Hong kong, onde a situação só se agrava. Isso preocupa porque em algum momento Pequim pode acabar intervindo, o que seria um problema. A China atravessa um momento delicado na relação comercial com os americanos e quando tudo parece caminhar para um acordo, os EUA mudam as regras, o que tem preocupado bastante. Além disso, há as instabilidades na América Latina, que podem contaminar o mercado. E, em novembro sempre há uma grande remessa de dólares das filiais para as matrizes das empresas, o que pressiona a moeda americana”, diz Laatus.

O Banco Central ofertou nesta sessão até 12 mil contratos de swap cambial reverso e até US$ 600 milhões em moeda. Adicionalmente, a autarquia também ofertará contratos de swap tradicional, para rolagem do vencimento janeiro de 2020, em caso de colocação parcial ou de não colocação de swaps reversos e dólar à vista.

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Menos da metade da população adulta tem emprego, diz IBGE; desocupação é recorde

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Aaron Favila/Agência Pública

Menos da metade da população adulta brasileira tinha emprego ao final do segundo trimestre, segundo o IBGE

97.256 mortes, 2.859.073 casos confirmados  e 8,9 milhões de demitidos . O saldo da pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) no Brasil é desolador, crítico e preocupante. Se outrora o debate tinha como foco a “disputa” entre preservar vidas ou a economia, hoje vê-se que o País foi absolutamente incapaz de lidar com qualquer dos aspectos. Segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada nesta quinta-feira (6), menos da metade (47,9%) da população com idade para trabalhar no Brasil tem um emprego. A desocupação é recorde e não há perspectiva de melhora.

O nível de ocupação da população adulta, 47,9%, é o menor da série histórica do IBGE, iniciada em 2012. A taxa de desemprego, porém, ainda não reflete as 8,9 milhões de demissões no segundo trimestre. Para o instituto de pesquisa, só é desempregado aquele que procura emprego, e como muitos não conseguem nem sair de casa em busca de uma vaga por conta da pandemia, os números não sobem com a mesma velocidade que as demissões.

Hoje, a população ocupada no Brasil é de 83,3 milhões de pessoas, número que era de 92,2 milhões ao final do primeiro trimestre.

Ao todo, 5,2 milhões de pessoas entraram no grupo chamado “força de trabalho potencial”, que reúne pessoas que não trabalhavam nem estavam procurando emprego no segundo trimestre. Com esse importante crescimento, o grupo chega agora a 13,5 milhões de pessoas. 5,7 milhões desse total são desalentados , ou seja, aqueles que gostariam de trabalhar e estavam disponíveis, mas não procuraram emprego. No período, o desalento cresceu 19,1%, com 913 mil brasileiros a mais vivendo essa situação.

CLTs, informais ou por conta própria: onde a queda é maior?

Entre os trabalhadores com carteira assinada , os CLTs, 2,9 milhões perderam emprego, queda de 8,9%. Agora, há 30,2 milhões de pessoas empregadas com carteira no Brasil, o menor nível da série histórica.

O trabalho informal, muito afetado pela pandemia e em grande parte sustentado pelo auxílio emergencial de R$ 600 nesses últimos meses, perdeu 2,4 milhões de trabalhadores. O grupo reúne agora 8,6 milhões de pessoas. A queda, de 21,8%, é maior do que entre os CLTs e os trabalhadores por conta própria.

O grupo das pessoas que trabalhavam por conta própria passou de 24,2 milhões de pessoas a 21,7 milhões, com 2,5 milhões desocupados. A queda foi de 10,3%.

Entre os setores da economia, o comércio foi o mais afetado, respondendo por 2,1 milhões das 8,9 milhões de demissões, mas todos os grupos de atividades pesquisados tiveram queda na ocupação. Na categoria Alojamento e alimentação, por exemplo, a queda foi de 25,2%, com 1,3 milhão de pessoas demitidas.

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