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Saúde

Covid: Casos globais dobram em 2 meses; países evitam novas restrições

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Números podem ser ainda maiores, uma vez que resultados de autotestes caseiros quase nunca são notificados
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Números podem ser ainda maiores, uma vez que resultados de autotestes caseiros quase nunca são notificados

É raro ver máscaras nas ruas ou governos debatendo um reforço das medidas de distanciamento social, apesar de os casos mundiais da  Covid-19 terem dobrado nos últimos dois meses, impulsionados pelas novas subvariantes da cepa Ômicron, principalmente a supertransmissível BA.5. E os números reais são ainda maiores, já que o acesso a autotestes caseiros, cujos resultados quase sempre não são notificados, cresce progressivamente.

Não raramente, os sintomas leves ou inexistentes fazem com o que o paciente nem sequer sinta a necessidade de se testar — algo que ocorre principalmente graças à vacinação avançada e à imunidade adquirida em infecções prévias. Segundo dados do Our World in Data, um projeto da Universidade de Oxford, mais de 61% da população global tomou duas doses. Não se sabe ao certo o percentual dos inoculados com doses de reforço, mas estima-se que seja inferior a 30%.

No domingo (24), o mundo registrou uma média móvel de 1,1 milhão de diagnósticos — mais que o dobro dos 540 mil registrados em 24 de julho de 2021 e que os 538,6 contabilizados no dia 24 de maio deste ano. As mortes, contudo, deixam claro que se trata de um novo momento da crise sanitária. Há um ano, o coronavírus tirava diariamente uma média de 8,6 mil vidas. Hoje, as mortes diárias são cerca de 2,6 mil.

Ainda assim, alerta repetidamente a Organização Mundial de Saúde (OMS), é necessário redobrar as atenções. Há apenas um mês, em 24 de junho, o vírus matava menos de 1,5 mil pessoas por dia, e o temor é que o aumento do número de casos e internações signifique uma crise ainda maior quando as temperaturas começarem a cair com o fim do verão boreal, em setembro.

“Países que desmantelaram algumas partes dos seus sistemas de resposta pandêmica estão assumindo um grande risco. Todos os países tem lacunas”, disse o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na semana passada. “Agora é a hora, enquanto os hospitais não estão lotados, de todos os países agirem para preencher esta lacuna.”

Um dos epicentros globais é a União Europeia, que registrou uma média móvel de 392,9 mil novos casos no sábado, quase o triplo do visto há três meses e um número próximo ao de março deste ano, época da onda causada pela subvariante BA.2. Quatro dos sete países com o maior número de diagnósticos — França, Alemanha, Itália e Grécia — fazem parte do bloco europeu.

Basta olhar para as fotos do verão na costa mediterrânea, contudo, para perceber que não há a mesma preocupação popular ou oficial vista em momentos anteriores da crise de saúde pública. Com 73% da população vacinada, a opção de momento é conviver com o vírus. A muito afetada indústria do turismo se aproveita da alta estação, e os viajantes internacionais vão e vêm em um ritmo não visto desde o começo da pandemia.

Isto ocorre em parte porque as mortes continuam baixas, na casa de 620 por dia. Em fevereiro, o número era superior a 2.150. Em novembro de 2020, chegava perto de 3,6 mil. Os governos rechaçam a ideia de retomar medidas de distanciamento ou passaporte sanitários, focando seus esforços no aumento da testagem e no incentivo à dose de reforço. Até o momento, cerca 53% dos europeus já tomaram ao menos uma injeção adicional.

Após dois anos de crise sanitária, a fadiga é grande e a pandemia é praticamente relegada às notas de rodapé. O noticiário hoje foca em outros assuntos, como as quedas dos governos na Itália e no Reino Unido, a guerra na Ucrânia, que adentra seu sexto mês, e as queimadas maciças nos meses de verão.

O cenário é similar ao dos Estados Unidos, o segundo na lista de países com maior média móvel de novos diagnósticos, ficando atrás apenas do Japão. Em média, 127 mil americanos são infectados e 44 morrem de Covid por dia, aumentos quinzenais de 19% e 38%, respectivamente, segundo dados do New York Times.

Até o próprio presidente Joe Biden contraiu a doença, anunciou a Casa Branca na semana passada. Vacinado e com duas doses de reforço, o democrata tem apenas sintomas leves e se recupera bem.

Mais de três quartos dos casos nos EUA são causados pela BA.5. A subvariante — ou seja, quando há mutações e características diferentes, mas não em volume suficiente para caracterizar uma nova variante — também é a responsável pelo novo surto na Europa. Na semana passada, já causava 53,6% das infecções registradas planeta, segundo a OMS. Identificada pela primeira vez na África do Sul em fevereiro deste ano, a BA.5 tem apenas seis alterações na sua proteína spike, o que faz com que seja mais contagiosa que todas as outras variações do vírus. Não há indícios, no entanto, de que seja mais letal ou cause sintomas mais graves.

Quarenta e cinco dos 50 estados americanos viram os diagnósticos crescerem na última quinzena. No Colorado, subiram 68%. Na Pensilvânia, 57%. No estado de Nova York, o número de internações é superior ao registrado no pico da variante Delta.

Ao contrário de outros momentos, não há mandatos nacionais para o uso de máscaras e poucos falam em acirrar restrições. Não se houve mais falar em ordens federais para o uso dos protetores faciais ou em disputas judiciais sobre mandatos de vacinação.

A resistência aos inoculantes é particularmente grande em solo americano, onde apenas 67% da população tomou as duas doses — no Brasil, por exemplo, o número se aproxima de 80%. Apenas 32% dos americanos tomaram ao menos uma dose de reforço.

Até mesmo Anthony Fauci, o epidemiologista-chefe da Casa Branca que travou embates com o então presidente Donald Trump devido à resposta anticiência de seu governo à pandemia, disse que “não devemos deixar o vírus interromper nossas vidas”. Principal especialista em doenças infecciosas do governo dos EUA sob sete presidentes e quase quatro décadas, ele disse que irá se aposentar no início do ano que vem, antes do mandato do presidente Joe Biden chegar ao fim.

“Mas não podemos negar que é uma realidade com que devemos lidar” completou o médico na semana passada.

O principal responsável pela nova onda é o Japão, onde registrou-se na última quinzena cerca de 150 mil novos diagnósticos diários, um recorde que deixa pressiona o sistema de saúde do país. A maior média, até então, não chegava a 95 mil, em fevereiro desde ano, causada pela Ômicron em sua forma original. O governo expandiu seu programa de reforço da vacinação e aumentou a distribuição de testes de Covid, mas não toma medidas mais duras. Pelo contrário, relaxou as regras de autoisolamento para os contatos próximos de pessoas diagnosticadas com o vírus, por exemplo.

O surto japonês, apontam as autoridades de saúde local, também é causado pela BA.5 e pela parecida BA.4, outra subvariante que também foi identificada pela primeira vez na África do Sul no início deste ano. Hoje a Covid-19 mata em média 25 pessoas por dia no Japão, uma fração do pico de 260 visto em fevereiro.

O Japão não é uma exceção: o cenário no país se parece com o sul-coreano, onde a média de casos cresceu 257% nas últimas semanas: por dia, em média 65,6 mil pessoas são infectadas, mas a média móvel de mortes é inferior a 20. O país é hoje o sexto do mundo com mais casos, seguido da Grécia e da Austrália.

O país da Oceania registrou nesta segunda-feira um número recorde de novas internações — quase 5,5 mil — devido às novas subvariantes. No sábado (23), também pela primeira vez desde o início da pandemia, as novas mortes ultrapassaram 100 ao dia em meio. A circulação do vírus, alertam as autoridades, é intensificada pelas baixas temperaturas do inverno, e há surtos em asilos e profissionais da saúde.

O governo também estendeu o reforço da vacina para mais grupos e recomenda o trabalho remoto, apesar da decisão final caber às empresas. Na Nova Zelândia, onde o governo da premier Jacinda Ardern insistiu até o fim do ano passado em uma política de “Covid zero”, morrem em média 4,37 pessoas para cada milhão de habitantes, a maior taxa do planeta.

As autoridades, contudo, afirmam que máscaras, vacinas e isolamento serão suficientes para dar conta do surto atual, e não cogitam publicamente retornar às quarentenas que vigoraram até o fim do ano passado. O único país que ainda insiste na “Covid zero” é a China, que lança mão de testes em massa e um sistema hi-tech para que só aqueles com resultados negativos possam circular livremente. No domingo, o país registrou 680 novos casos, menos que os 869 de sábado, enquanto as autoridades agem para conter surtos localizados.

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Fonte: IG SAÚDE

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Nova varíola: Brasil faz 8.850 testes da doença

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Varíola dos macacos
OMS/Divulgação

Varíola dos macacos

Até o momento, foram realizados cerca de 8.850 exames nos laboratórios de referência, em todo o Brasil, para comprovação de casos de varíola dos macacos, informou hoje (16) à Agência Brasil o Ministério da Saúde.

O número de exames realizados diariamente varia de acordo com as notificações e a chegada das amostras aos laboratórios. O país acumula 2,8 mil casos da doença, espalhados por 22 estados.

Atualmente, oito unidades de referência realizam o diagnóstico, sendo quatro laboratórios centrais de Saúde Pública (Lacen), localizados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, e mais quatro unidades de referência nacional, sendo duas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) no Rio de Janeiro e no Amazonas; uma da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e uma no Instituto Evandro Chagas, no estado do Pará. Dessa forma, o ministério assegurou que “é possível garantir a cobertura do diagnóstico de todo o país”.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou em entrevista ao programa A Voz do Brasil, na última sexta-feira (12), que todos os laboratórios centrais de saúde pública estarão aptos a fazer o teste do tipo RT-PCR para varíola dos macacos até o final de agosto.

Expansão

O coordenador do Laboratório de Virologia Molecular da (UFRJ), Amilcar Tanure, defendeu hoje, em entrevista à Agência Brasil, que sejam realizados mais testes e que o número de laboratórios aptos a realizar a testagem seja ampliado.

“Eu acho que tem que aumentar isso, para que os pacientes tenham mais acesso. Além disso, como o vírus está dando lesões não tão exuberantes, a recomendação é que pessoas que desconfiem que seja varíola dos macacos procurem atendimento médico, uma unidade de pronto atendimento, e vão se testar”.

Tanure disse que é intenção da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro criar dois locais para centralizar esses pacientes para coleta de amostras. Um dos centros de testagem funcionaria no Maracanã, na capital, e outro em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

“É muito importante expandir os locais de teste e de coleta e treinar os profissionais de saúde para fazerem uma coleta correta para o teste funcionar bem. Quanto mais a gente testar, mais vai conseguir isolar pessoas infectadas e bloquear a transmissão do vírus”.

A secretaria confirmou que vai abrir nas próximas semanas um posto para coleta de material para testagem de casos suspeitos de varíola dos macacos. O serviço será realizado apenas para pacientes encaminhados por unidades de saúde, após exame clínico. As amostras serão enviadas para análise no Laboratório de Enterovírus do Instituto Oswaldo Cruz e nos Laboratórios de Biologia Molecular de Vírus e de Virologia Molecular da UFRJ, que são referenciados pelo Ministério da Saúde no estado do Rio de Janeiro. Não foi informado, entretanto, onde será o local de coleta de material.

Fundão

Amilcar Tanure acrescentou que a universidade também está tentando ampliar a testagem. “A gente está tentando abrir um sítio desses no Fundão, no mesmo local onde já atende pacientes com covid-19”, mencionou. Possivelmente, será localizado no mesmo prédio onde funciona o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas Emergentes e Reemergentes da UFRJ, ligado à Faculdade de Medicina.

O núcleo dá assistência aos pacientes e acompanhamento clínico para ver quando ocorre a melhora e diminuição das lesões.

O Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ realizou até agora 1,3 mil testes de varíola dos macacos, a partir de amostras recebidas dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A taxa de positividade de 40% foi considerada elevada pelo pesquisador. O laboratório faz o teste molecular para identificar o vírus que está na pele das pessoas. Até hoje, 368 casos foram confirmados no estado, de acordo com a Secretaria de Saúde

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Fonte: IG SAÚDE

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