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Contas de luz devem subir em até 16% em São Paulo, Goiás e Distrito Federal

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Contas de luz devem subir em até 16% nos estados de São Paulo e Goiás e no Distrito Federal
Fernanda Capelli

Contas de luz devem subir em até 16% nos estados de São Paulo e Goiás e no Distrito Federal

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) autorizou na última quinta-feira (21) um reajuste de até 16% nas contas de luz em São Paulo, Goiás e Distrito Federal. A decisão deve impactar cerca de 8 milhões de consumidores.

No caso de São Paulo, a mudança vale para as empresas EDP e CPFL Piratininga. Juntas, elas atendem quase 4 milhões de pessoas. O novo valor passa a vigorar a partir deste sábado, com um aumento de 16% nas tarifas para as residências e de 4% para indústrias de alta-tensão.

Em Goiás, a Enel Distribuição recebeu autorização para reajustar o valor das contas de luz em 16% para as residências e 14% para indústrias de alta tensão. O aumento já passa a valer a partir desta sexta-feira e deve atingir 3 milhões de consumidores de 237 municípios.

Já no Distrito Federal, o novo valor é válido para as tarifas da empresa Neoenergia. Nesse caso, as contas de luz devem subir em 11% para as residências e em 9% para as indústrias de alta tensão. Esse aumento começa a vigorar já nesta sexta-feira.

Segundo a Aneel, os reajustes se dão pelos custos adicionais das empresas causados pela escassez hídrica, inflação e variação do dólar. Eles seriam necessários para cobrir os investimentos das empresas e as despesas reconhecidas pela Aneel.

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Recuperação do emprego mostra economia voltando antes do esperado, diz IBGE

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Redação 1Bilhão Educação Financeira

IBGE

Apesar de a pandemia ter afetado a dinâmica e a qualidade dos empregos gerados no país, o mercado de trabalho brasileiro começou a dar sinais de recuperação antes do estimado anteriormente. Essa é uma das conclusões evidenciadas pelos  dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE, com base na nova série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua).

A pesquisa, que reúne indicadores do mercado de trabalho brasileiro desde 2012, foi reponderada pelo instituto e mostrou que o nível da ocupação voltou a ficar acima de 50% no quarto trimestre do ano passado, mais rápido do que se pensava.

Na série antiga, o IBGE calculou que o nível da ocupação só voltou a ficar acima de 50% no trimestre móvel encerrado em julho deste ano.

A nova série também mostrou que a recuperação do trabalho formal também foi mais veloz do que se pensava. O número de trabalhadores com carteira passou a ser 2 milhões maior ao fim do segundo trimestre deste ano que o apontado na série antiga.

A geração de vagas com carteira foi constante fator de divergências entre a Pnad e o Caged, do Ministério da Economia, ao longo de todo o ano passado.

Nível da ocupação, em % Série antiga:

  • 1º trimestre 2020: 53,5%
  • 2º trimestre 2020: 47,9%
  • 3º trimestre 2020: 47,1%
  • 4º trimestre 2020: 48,9%
  • 1º trimestre 2021: 48,4%
  • 2º trimestre 2021: 49,6%

Série reponderada:

  • 1º trimestre 2020: 55%
  • 2º trimestre 2020: 49,5%
  • 3º trimestre 2020: 49%
  • 4º trimestre 2020: 51,1%
  • 1º trimestre 2021: 50,9%
  • 2º trimestre 2021: 52,1%

Fonte: IBGE

A mudança no nível de ocupação pode ser observada ao longo de toda série histórica, iniciada em 2012.

Segundo o IBGE, na nova série, o nível da ocupação passou a apresentar expansão devido à redução da população em idade de trabalhar.

No ano passado, essa parcela da população foi sobrerrepresentada, capturando principalmente aquele grupo que não trabalha e não tem o desejo de trabalhar. Isso gerou distorções com relação ao contingente populacional.

“O nível da ocupação foi de fato o que teve mais impacto. Passamos a ter o nível da ocupação maior do que o que vínhamos mostrando”, avalia Adriana Beringuy, analista da Pnad Contínua, do IBGE.

Apesar da calibração da Pnad Contínua ter apontado mudanças no nível de ocupação e cobertura do emprego formal, os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho permaneceram evidentes na pesquisa.

O contingente de trabalhadores por conta própria registrado no segundo trimestre deste ano permanece no maior nível da série histórica. A taxa de desemprego, reponderada, aponta que o indicador chegou a 14,2% no segundo trimestre do ano, ante estimativa de 14,1%.

A maior diferença ocorreu no terceiro trimestre de 2020. Na série antiga, a taxa de desemprego havia chegado a 14,6%. Com a reponderação, o indicador foi de 14,9% no período, maior taxa para essa base de comparação.

2 milhões de empregos com carteira a mais

A Pnad também apontou que o mercado de trabalho concentra uma maior cobertura do emprego com carteira assinada do que se imaginava.

Segundo Adriana Beringuy, essa constatação ocorreu a partir da calibração da pesquisa por sexo e idade. O estudo passou a capturar maior participação do grupo etário de 25 a 39 anos, que tem maior peso no mercado de trabalho e costuma ter mais pessoas atuando na formalidade:

“Pode ser que, com uma participação maior desse grupo etário, você traga um pouco mais de carteira assinada para o total da pesquisa. É um grupo que de modo geral já completou os estudos e que tende a ser mais ancorado, com vínculos mais estáveis de rendimento e instrução. Essa relação está baseada no histórico que a gente vê de resultados que viemos acompanhando ao longo da série histórica.”

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Com a nova série, o número de trabalhadores com carteira passou a ser 2 milhões maior ao fim do segundo trimestre deste ano que o apontado na série antiga.

Série antiga:

Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência (Mil pessoas)

Empregado no setor privado, exclusive trabalhador doméstico – com carteira de trabalho assinada

  • 1º trimestre 2019: 32.918
  • 2º trimestre 2019: 33.213
  • 3º trimestre 2019: 33.075
  • 4º trimestre 2019: 33.668
  • 1º trimestre 2020: 33.096
  • 2º trimestre 2020: 30.154
  • 3º trimestre 2020: 29.366
  • 4º trimestre 2020: 29.885
  • 1º trimestre 2021: 29.570
  • 2º trimestre 2021: 30.189

Série reponderada:

  • 1º trimestre 2019: 34.133
  • 2º trimestre 2019: 34.430
  • 3º trimestre 2019: 34.342
  • 4º trimestre 2019: 34.953
  • 1º trimestre 2020: 34.398
  • 2º trimestre 2020: 31.484
  • 3º trimestre 2020: 30.856
  • 4º trimestre 2020: 31.592
  • 1º trimestre 2021: 31.515
  • 2º trimestre 2021: 32.098

Fonte: IBGE

Nova metodologia

O IBGE adotou novo método de ponderação para Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, revisando toda a série histórica, iniciada em 2012.

Agora os resultados Contínua incorporam nova metodologia, que ajusta os pesos das informações conforme idade e sexo dos informantes.

O objetivo da calibração é mitigar possíveis impactos de viés de cobertura, dado que a coleta de dados referente ao mercado de trabalho passou a ser feita por telefone no ano passado por conta da pandemia de Covid-19.

Luna Hidalgo, técnica do IBGE, explica que pesquisas realizadas mensalmente, como ocorre com a do mercado de trabalho, foram atingidas pela crise sanitária:

“Qualquer efeito social, pandêmico, atinge as pesquisas de maior frequência. A pandemia alterou a forma como acessamos os respondentes e começou a criar um perfil respondente diferente da massa da população [brasileira]”, diz Hidalgo.

Adriana Beringuy, analista do IBGE, explica que durante a pandemia foi identificado um crescimento atípico da população em idade de trabalhar, sobretudo da parcela de pessoas fora da força de trabalho.

Isso porque a troca da coleta presencial pela coleta via telefone ampliou a incidência de resposta de grupos etários de maior idade, que inclui o grupo de 40 a 59 anos e o de 60 anos ou mais.

Além disso, a parcela de aproveitamento das entrevistas realizadas pela equipe de coleta caiu diante da dificuldade de obtenção dos telefones e das respostas dos entrevistados. A taxa de resposta, que ficava acima de 80%, chegou a ficar abaixo de 60%.

“Aquela aceleração que foi notada por nós e por outros estudiosos e pesquisadores estava chamando a atenção. (…) Eu estava tendo mais informação de pessoas mais velhas frente à população mais jovem. (…) Por fim se elegeu o método da calibração por sexo e idade, haja vista que isso estava acontecendo na pesquisa do Brasil, mas também foi algo enfrentado por outros institutos de estatística, e que recorreram também à calibração por sexo e idade, para tentar mitigar esse crescimento atípico”, explica Beringuy.

A recalibração tem como base as projeções populacionais baseadas em dados do Censo de 2010 e será revisada novamente após os resultados do Censo Demográfico 2022.

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